quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vera

Pequena fada,

de surpresa vc veio.
confesso que eu e seu pai ficamos assustados.
ainda nao era o momento de viver tudo de novo.
mas nao sabemos nada dos designios Dela.

Estamos arrumando tudo para a sua chegada.
Eu, seu pai e seu irmao te esperamos.
pode vir! <3 p="">


"Um coração
De mel de melão
De sim e de não
É feito um bichinho
No sol de manhã
Novelo de lã
No ventre da mãe
Bate o coração
De (Vera) , ana
E quem mais chegar
Agua, terra, fogo e ar"

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dois meses depois

Faz dois meses que Arthur Felipe deixou de ser apenas um nome  e um projeto e se tornou uma realidade de quase 7kg no meu colo. entao acho que ja posso tecer comentarios sobre como me sinto. :)

o texto a seguir foi um comentario sobre um blog onde mulheres que se decepcionaram com a maternidade trocam experiencias. sera tb o primeiro post sobre como tem sido a minha vivencia....ainda to reunindo coragem pra escrever sobre o parto, rsrs. 

antes de mais nada digo que o que vou escrever aqui e so a minha opiniao, nao pretendo julgar nem "cagar regra" na maternagem de ninguem. so vou falar como funciona pra mim...



eu conheço o blog da J. acho interessante o que ela escreve e acho corajosa a atitude de assumir a decepçao com a maternidade, pq isso e um tabu. mas acho que tem mais caroço nesse angu...

hm, claro que a depressão pos parto teve influencia no inicio. mas me parece (minha opiniao, sem julgamentos) que uma certa idealizaçao da maternidade tb fez parte dessa decepção. quando vc imagina que uma situação vai ser maravilhosa, acaba se decepcionando qd ela mostra suas dificuldades. e o caso de muitas maes "arrependidas".

e nessa coisa de idealizar entra tb a ilusao de que a maternidade sera boa o tempo todo. nao e, nada e! a minha mae me amava muito, mas ela sempre brincava dizendo que "filho tinha que ter botao de off". hj penso a mesma coisa, rs. amo muito meu bebe, mas seria otimo "desliga-lo" as vezes, hehehe. isso e humano e normal. td mundo as vezes se cansa do proprio trabalho, do marido, e normal cansar dos filhos as vezes. mas a sociedade nao permite que mae se sinta assim...abrir mao da propria carreira e pessimo tb, claro. eu jamais faria isso, e por isso tive que me organizar de forma a conciliar a maternidade e o trabalho. 

outra coisa: faltam, muitas vezes, informaçao e orientaçao corretas. por exemplo, ela menciona que nao conseguia fazer nada em casa sem o filho chorar. meu bebe de dois meses e EXATAMENTE assim: reclama se eu fico longe. mas ai e que ta a importancia da orientaçao: minha doula me orientou a usar o sling. assim, eu ando pela casa e faço de tudo, com ele amarradinho a mim. e toda vez que eu ouço uma mae que amamenta dizer que ta sem dormir e exausta, eu me pergunto por que nao faz cama compartilhada. qualquer pessoa vai ficar exausta e deprimida se tiver que sair da cama e ir amamentar em outro quarto 4, 5 vezes por noite (frequencia com que um bebe pequeno mama). se o bebe estiver na mesma cama que vc, ou em um bercinho acoplado, faz TODA  a diferença! e não, nao e perigoso pra criança compartilhar a cama e nem mamar deitada, isso sao mitos. tb nao fica "mal acostumado". as indias carregam seus bebes amarrados ao corpo, amamentam em livre demanda, dormem com eles na mesma rede e nao se ouve falar em curumins mimados. 

outra coisa que noto no relato dela e de outras maes no mesmo blog: elas ficam sozinhas o dia todo com o bebe. isso e um fenomeno da nossa sociedade atual: a mulher de classe media sempre fica sozinha com seu recem nascido, o que é um absurdo. quando nasce um bebe numa tribo, a mulher esta cercada de cuidados; no interior e na favela, as vizinhas, amigas e parentes se mobilizam; ja a mulher ocidental de classe media urbana esta sozinha! isso e pessimo para a mae e para o bebe. mulher puerpera precisa de apoio. eu topei abrir mao do meu espaço e me mudei pra casa da minha sogra nesse primeiros meses do meu bebe exatamente pra ter esse apoio. 

e por ultimo, as vezes eu acho que falta uma dose de bom humor a maes e pais. quando eu estava tentando engravidar, muita gente me desencorajava dizendo "e terrivel, sua vida vai acabar, vc que gosta de trabalhar e ter liberdade nao vai aguentar, vc vai ter depressao, nao faça isso, vc tera que limpar coco, e nao vai conseguir comer nem tomar banho etc etc etc". olha, sobre isso, tem dias sim que meu filhote me obriga a comer com uma mao so, dias em que ele suja varias roupas... e eu procuro rir disso! tem um lado comico, ne. e se a gente nao ri dessas pequenas adversidades, a vida fica muito pesada. 

e, finalizando, sim, esses mitos machistas de que "mae e sagrada e infalivel" e tb o "toda mulher precisa ser mae" devem ser desconstruidos, pra ontem. ser mae e escolha.
outra coisa que nao ajuda e a mae ser sempre mais cobrada que o pai. isso so sobrecarrega as mulheres. 
e nao, o amor nao e instataneo e incondicional, ele e sim cosntruido, desde a gravidez; vc e seu bebe vao se conhecendo aos poucos e se envolvendo...e um processo. e pode sim ser muito bom, apesar dos percalços. :)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Baú

Escrevi esse texto em 04/07/2012 (e, no meu aniversario). na epoca tinha razoes pra nao publicar. mas agora, com Arthur Felipe no meu peito elas nao existem mais.
Foi mesmo o ultimo texto. :)


O último texto?

Just a matter of feeling
This moment's madness is sure to past
And tears will dry as your're leaving
Who knows you might find something to last

Porque permanece a lembrança. ainda vejo voce, alto, esguio, escuro, flexível, Lancelot  me aguardando na sala espelhada da entrada do edificio. O beijo, o calor do abraço no elevador na noite que foi uma das mais romanticas que já tive.

Uma historia com gosto de lágrimas e poesia, que passou rápido como um fim de semana na serra.  Romance, aventura, drama e comédia no mesmo filme. E olha que era um curta-metragem!

Eu sei o que me espera a partir daqui. Provavelmente, tentar de novo com aquele que me foi destinado na Terra da Verdade, meu amor kármico, o pai da Ana Vera. Uma festa de casamento no Parque das Ruinas, uma familia como eu sempre quis. Meu estável (ou não) Rei Arthur.

Mas levo a lembrança comigo. Talvez eu deva te agradecer, mesmo. Um dia, estarei em uma cadeira de balanço cercada de gatos, netos, capuccinos e livros de terror. Entao, terei um sorriso melancolico quando for visitada por essa lembrança agridoce. Pode apostar.


Talvez eu deva te agradecer. :)

sábado, 15 de março de 2014

Carta ao Pequeno Rei

"...é como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar..."

"before you cross the street/take my hand/ life is what happens to you while you're busy making other plans...beautiful, beautiful, beautiful...beautiful boy!" 




Meu Amor Maior,

Desde aquele fim de tarde cinzento de novembro, em que os meus duendes particulares me anunciaram sua doce  presença no meu ventre, que minha vida nao tem sido mais a mesma (sei que isso é cliche, mas gravida pode).

Tenho respirado junto com voce desde entao. Senti os primeiros efeitos de te carregar, nem sempre agradaveis. Planejei com todo o carinho a sua chegada (e acabou que nao vai ser nada como eu planejei, mas o importante e voce chegar).

Ha um ano eu te esperava, eu pensava em voce. Ha um ano? Nao, muito mais! Praticamente, desde que deixei eu mesma de ser criança. E me recuso a crer que isso tenha qualquer relaçao com vulgaridades do tipo "relogio biologico" ou "instinto maternal". Eu simplesmente sabia, eu sempre soube, que voce iria fazer parte da minha vida em algum momento.

Agora, já conseguimos dialogar! Voce responde meus pensamentos, cançoes e palavras (e a cada vez que eu chamo seu nome, Arthur) com movimentos que ás vezes parecem polichinelos, outras vezes espreguiçadas...

Sonho acordada com o nosso encontro "aqui fora", hehehehe. Imagino seus cabelos, seus olhos e sua voz, que nos primeiros tempos será o som que mais ouvirei (aimeudeus é fome? é colica? é sono?)

Me pergunto também como será isso pra voce. Sera que vai gostar da mãe que Ela reservou? O que será que seus pequenos olhos rasgadinhos (como sempre sao os olhos dos bebes) vao ver quando olharem meu rosto?

De nada sabemos, por enquanto. Aguarde na tranquilidade de onde vc esta agora o momento de descobrir que eu vou me distraindo aqui também (tem tanta coisa pra arrumar ainda, vc nem faz ideia....) Afinal de contas, teremos todo o tempo do mundo para aproveitarmos a companhia um do outro e aprendermos mutuamente todas as liçoes oferecidas.

Te amo, my beaituful boy!

Assinado, sua mae....

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

...e ta chegando a hora de me despedir do cantinho que por 8 anos chamei de lar.
Esse apêzinho da pracinha foi a grande conquista da minha juventude! "A Morada da Donzela!" Aqui chorei, ri, me diverti, festejei com amigos, dancei, curti o silêncio, li, descansei do "estresse de cada dia", aproveite a companhia da minha filhota felina...

Sempre sonhei em ter uma casa todinha só pra mim. desde os 5 anos de idade, quando brincava de morar sozinha numa caixa de papelão dessas eu vem com geladeira/maquina de lavar/ etc /dentro. 
Mas de repente, meus sonhos e planos não cabem mais aqui.
 Chegou a hora de partir pra uma nova fase. Começar a planejar "A Casa da Mãe!" Com certeza serei menos "eu, eu mesma & ninguém", mas vai valer a pena.
Obrigada, minha casinha pequena da ladeira. Foi muito bom! :)

Bellydancers

E lá vamos nós pra mais um espetáculo.

o clima de sempre no camarim; cumplicidade feminina. empréstimo de alfinetes e kajais. ajuda pra fechar o cinturão. Meu cabelo tá bom? e o cheiro onipresente de incenso.
Mulheres de todos os tipos, ttamanhos, idades, etinias, estilos. Todas unidas em torno da mesma coisa. Há sete mil anos.
Somos todas belas. Todas, nesse momento, são sacerdotisas de Isis.
O poder de todos os ventres é o poder do Sagrado Feminino.
E a dança e a Sua oração. :)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Agenda


Há sempre tanto a fazer...
Pelo Brasil
Pela minha carreira
Pelo que sobrou da minha família
Pelos alunos
Pela educação publica
Pela minha formação
Pela Arte
Pelos meus amigos
Planos rendimentos saúde relacionamento reputação

Que quase não sobra tempo para
Ver a chuva chegar
Você dormir
Dançar descalça na grama
Olhar a lua
Encher a cara
Rir ler besteira
Ouvir a risada dos alunos e a musica brega dos anos 90

Mas a gente dá um jeito
Aproveita os cantinhos
Frestas desvãos
E brota mesmo assim
Rick Astley e gargalhadinhas
Stephen King chuvisco na Rio-Petropolis
Sex on the beaches amigas e risadas
Roda de samba no Sal descalça e com lua
E acordar antes de voce
Te dar beijinhos nos olhos
Fechados
E sair. 




quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

even flow

Porque são muitos demonios. Legião (e não é Urbana). Duendes que falam falam falam sussurram gritam riem perguntam...
Um deles diz "voce é velha demais pra ser mãe."
Outro diz "voce é pobre demais pra ter uma casa"
Outro "voce e burra demais pra ser mestre"
E ainda um "voce vai morrer jovem como sua mãe"
e todos, em coro, "vai dar errado!"
e uma, risonha: "voce tá velha e gorda"
e, o ultimo: "ele não quer".
aí o remedio é: Smells like teen spirit, Malibu, Two hearts, Other side, Iwill survive, Aeroplane, Here comes your man, Water, Come toghether....
e toca a mexer o quadrilzinho, levantar os braços, cantar junto, fechar os olhos, até cansar.
porque também, sem um passinho, ninguem segura esse rojão.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Poema Amarelinho

Pátio
com sol.

Amarelinha
no chão.

Duas meninas
uma, pálida, uma nuvem de cabelo preto.
A outra, moreninha,
toda cachos e covinhas.

Rolam a pedrinha, pulam, correm, riem, tiram os sapatos.
os passarinhos e plantas também brincam.
Até o sol quer pular.

Mais a frente
serão engenheiras professoras tias noivas maes consumidoras

e terão
contas casas filhos namorados  enxaquecas aspiradores de pó computadores

Terao tambem
a lembrança do sol do cheiro do som das cores
desse dia de amarelinha.

(porque sempre carregamos essas impressões pela vida afora, né)

(se foi assim assim será)

Mas agora
elas ainda nao sabem que são eternas.




sábado, 26 de maio de 2012

Cheek to cheek

-Eu nunca vou te deixar cair.

 Musica, abraço apertado, girar, girar. Seu perfume, o calor do seu peito, a força dos seus braços nas minhas costas.

 -Eu nunca vou te deixar cair.

 E eu queria responder que te amei e amo, de novo, e amarei, de novo, mas cade coragem?

 -Eu nunca vou te deixar cair.

 E se eu estiver errada, me enganando, então que seja. Quero me enganar só hoje, só agora, na pista de dança. Só um pouquinho. So por hoje, como os alcoolatras. Porque estou tão cansada...só por hoje me apoiar no seu abraço, aceitar o abrigo dos seus ombros.

 -Eu nunca vou te deixar cair.

 "O esforço pra lembrar/é vontade de esquecer", alguem canta, longe, longe, e será que o esforço pra esquecer é vontade de lembrar, então?

 -Eu nunca vou te deixar cair.

 E com voce eu danço, no pó da estrada, no ritmo, fora dele, e deixo vc conduzir. fecho os olhos e te sigo. E não me importo se estão olhando e não entendendo nada.

 -Eu nunca vou te deixar cair.

 E eu nao vou esquecer disso. :)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Volto de viagem e os problemas me esperam sentados na sala de casa. O importante e caminhar sempre:quando estou na trilha eles não podem me pegar. Deixar a saudade vir e ir embora. Porque não tenho escolha. Mas ela sempre vai embora. E um dia ela não volta mais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Rei de Paus

E nao e bem uma dor. E so uma ausencia que esta aqui. Nao tem ansiedade, angustia, lamuria, lagrima. Tambem nao tem ilusao: sei perfeitamente que essa foi a melhor soluçao - na verdade nao havia outra possivel. Estamos, como diria o Doutor Pangloss, no melhor dos mundos. Ainda tenho lucidez pra ver isso- it's all about chorar o morto.

Mas a ausencia esta aqui. Senta do meu lado no onibus e no metro, depois que baixa a adrenalina do furor pedagogico, ou depois que as amigas pagam as caipvodkas e vao embora. Ela se enrosca do lado direito da cama na hora de dormir, me lembrando de pratos compartilhados de arroz integral, me lembrando de um dia na praia e uma noite de chuva, me lembrando de quando eu lavei seu cabelo, me lembrando os beijos, me lembrando, me lembrando, me lembrando.

se vai passar? ah, eu sei que vai...mas por enquanto, esta aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

diante de duas caipivodkas coloridas:

-Sabe aqueles dias em que vc não esta exatamente triste, mas meio melancolico, e so tem vontade de ficar olhando a chuva pela janela, se sentindo aconchegado por vc mesmo, ouvindo velhos hits que lhe trazem lembranças tão boas que doem, e lendo trechos de livros já relidos, sem pensar nas horas, e em silencio? assim, ao sabor das suas divagações? e isso sem nenhum motivo especial?

-po....não.

não é um balsamo a gente se sentir compreendido pelos amigos?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A VIDA

Aquela coisa tao bela que chega a dar medo, cheia de som e furia e que NAO VEM com manual de instruçoes.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

labirinto do minotauro

tenho medo de acreditar de novo....e mais medo ainda de nunca mais conseguir acreditar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

e em todo lugar que eu vou me dizem que eu sou linda e cheia de luz e pra frente e positiva.

e me dizem que eu animo as pessoas.

e me dizem que eu vu conseguir....

entao cade meu filho, meu emprego, minha casa, minha maquina de lavar?


terça-feira, 30 de agosto de 2011

é tanta vontade que nem cabe dentro de mim...

vontade de sol,de mar,de cachoeira, de dia inteiro sem nada pra fazer.vontade de biquini, vestido de algodão,sandalia rasteirinha e lenço de cabelo.vontade de pintar as unhas de vermelho.de risadas,de amor,de sorvete.de vinho na rua,sob a luz da lua.de noites perfumadas e quentes.de livros ruins já relidos e de uma rede preguiçosa na varanda com brisa...


vontade de novos ares. vontade de peixe frito, de mate gelado e biscoito Globo. de pele quente depois do dia no sol. vontade de ventilador.vontade de beijo e de barco.vontade de não saber que horas são...vontade de lua cheia!de dançar agarradinho e de cantar junto com o violão.

vontade de verão!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

fragmento ficional infame #4: e ela ainda continua!!!!

meu deus, não acredito. será que é ela? muita coincidencia ver ela de novo. e logo aqui.. e eu que achei que só eu gostava dessa livraria. ou pelo menos so eu gostava de ler de graça.

mas lá esta ela. é ela mesma, não há duvida. não ia me esquecer da fadinha bukowskiana nem em cem anos. hj ela esta de óculos. e sem echarpe, mas de cetim rosa!!! meu deus, acho que estou excitado.

sentada diante de uma caneca de capuccino. e completamente absorvida por um livro. a bela gosta mesmo de ler. preciso saber o que ela esta lendo.

ando pelo espaço como se estivesse vendo as prateleiras. discretamente olho na direção dela. droga. ela esta toda a vontade na poltrona de couro marrom, com o livro quase no colo. me sinto supinamente ridiculo fazendo isso. aos 30 anos de idade, olhando furtivamente para uma mulher em uma livraria tentando ver o que ela esta lendo. idiota. me sinto como um adolescente nerd tentando ver a calcinha da gostosa do time de volei. patetico.

alias, eu fazia isso qd era adolescente. não olhar as calcinhas das meninas do volei. achava elas irritantes, gostosas, porem irritantes. eu olhava as meninas nas livrarias. adolescente suburbano e pobre, eu ia nas livrarias do centro nas tardes vagabundas apos o colegio, ler de graça, principalmente quadrinhos e stephen king. e olhava essas meninas. óculos,, saias estilosas, meias de fio grosso, sapatos divertidos e sempre essa carinha concentrada, lendo. duvido que qualquer delas tenha jamais reparado em mim. e no entanto elas povoavam as minhas fantasias...

pq não vou lá e pergunto? tá certo, ela vai me olhar com cara de "ai, mais um macho achando que eu leio em, publico pra atrair cantadas estupidas", mas vai acabar mostrando o livro. ai eu mostro pra ela que não sou um macho estupido. e se ela estiver lendo uma autor que eu não conheço? fudeu.

fudeu pq? aproveito e pergunto, passo a conhecer...ai, ela não vai ter saco pra isso.

seu besta, vc ta olhando fixo pra ela há uns 15 minutos. ela no minimo vai achar que vc é um tarado que ta procurando livros pornograficos.

mas é impossivel olhar pra ela e não pensar em nada disso. tento bloquear na minha mente a imagem daquele vestido de cetim rosa deitado no meu sofá, com os cachos ruivos, os oculos que combinam com os cachos, a pele clara que contrasta com o esmalte escuro (ai!) e toda essa atenção ao livro...não existe nada mais sexy do que uma mulher lendo. e ainda por cima ela bebe café em CANECAS!! nada de xicrinha. meu deus, é a mulher da minha vida.

ela dá uma leve risadinha. ela ta sorrindo pro livro! preciso descobrir que livro é.

só consigo ver qd ela levanta: "a alma do homem sob o socialismo". Wilde. a bela gosta mesmo de malditos. e não e qq wilde! e um wilde lado B! não é o dorian gray.

mas ai ela levanta, agradece ao atendente (parece conhece-lo) e sai.

e eu percebo que, de novo, idiotamente, não descobri o nome dela.

fragmento ficcional infame #3: Miquinha amestrada

"no meio do deserto encontrei a sua irmã
parecia um tigre comendo uma maçã"

ouço na barca, o azul do mar me olha. as bolinhas de gude. uma moleza no corpo...saudade?

Não sei o que senti, eu não pude acreditar
Quando no espelho eu cruzei o seu olhar

lembrança. os olhos, a pele. o toque...a invasão. as tatuagens. e parece real. parece que está aqui.


Ah! Na minha vida tudo mudou
Aquela garotinha me ensinou o que é o amor
De dentro do meu carro a vida era melhor
Sentia que a Terra girava ao meu redor
Alguém pediu carona, eu não pude recusar
Quando acelerava ela disse pra parar


Horrivel qd ate o radio parece estar contra vc. a voz rouca, a risada rouca...o calor do sol.

Ah! Na minha vida tudo mudou
Aquela garotinha me ensinou o que é o amor


antes eu tivesse sido reprovada....

Não diga nada para a sua mãe
Apague a luz pra eu te ver melhor
Eu vou chorar lágrimas de crocodilo
Vou inundar o seu umbigo


então vem...vem que eu apago a luz e não conto nada a ninguém. venha inundar o meu umbigo. minha saudade é toda sensorial...e mesmo sabendo que suas lágrimas são, sempre foram e sempre serão de corocdilos, eu sei que tentaria de novo, e de novo. porque os sentidos escravizam a alma...Wilde sabe das coisas.

e eu sei o que estaria arriscando. que estariamos arriscando. mas o corpo não sabe de nada.

então chego na praça XV e na realidade. vc esta longe...muito longe.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

...

...e o que fazer quando não se consegue mais acreditar?

quando se percebe que mesmo aqueles que supostamente tem o que vc quer não estão felizes? quando se percebe que as motivações são sempre outras? quando se percebe que ao carneiro só podemos pedir lã?

não queria ver o mundo como um lugar hostil....